domingo, 23 de outubro de 2016

CARANGUEJOS PERNAMBUCANOS

     
      Ouvi uma história contada por um amigo, acerca de dois japoneses. Um deles residia em Recife e estava sendo visitado por um conterrâneo, em férias na cidade. Combinaram um almoço num pitoresco restaurante, especializado em frutos do mar e mais especificamente em caranguejos e seus “parentes”.      Sem qualquer familiaridade pregressa com os bichos, o visitante exclamou, em sua própria língua:
      -   Mas que animal interessante!
      -  Concordo. E saboroso também!! – responde o patrício. Aqui, eles ficam confinados e são mortos pouco antes de serem servidos.
      - Mesmo?!!!- espanta-se o visitante - gostaria de conhecer a criação!!! 
   Após as devidas explicações aos responsáveis pelo estabelecimento, lá estavam os apreciadores a contemplar a conviência renhida dos bichos, no viveiro. Passados alguns minutos, o turista exclamou:
      - Ih, olha lá! Um deles vai conseguir escapar. Ele já está quase saindo dali – observou.
      - Vai nada, ironizou o “recifense”.
      -  Mas, ele já está quase conseguindo deixar a caixa – insistiu.
      -  Aquele que está embaixo vai puxar a perna dele – explicou o anfitrião.
      -   Como você sabe disso?
      -   É que eles são pernambucanos – concluiu.
...
    
      Eu sou nascido e criado em Pernambuco. Um apaixonado por esta terra. Agradeço a Deus pelas minhas raízes e acredito no grande potencial de nosso povo.    
     Mesmo em momentos de crise e sob convites para outros lugares, permaneci, pela convicção de ter muito a fazer, em minha terra...
      Todo este carinho e respeito real não me impedem, no entanto, de concordar com os objetos de nossa história. De fato, existe algo em muitos do nosso povo que destoa de toda a receptividade, alegria e carisma que os pernambucanos possuem. É um sentimento “encrunhado” na cultura, nos costumes, na essência. Parece um disparate, uma erva daninha, que pode contaminar a mente mais honesta e generosa.
       Sim, em nossa terra(e não apenas aqui), existe o hábito por vezes imperceptível de esconder o incômodo sentido quando alguém, próximo de nós, prospera. Não é uma pontinha, mas um iceberg de inveja.
            Sim, esta é a vergonhosa palavra que descreve o problema.  
            Poucos, no entanto, se enxergam assim, ou conseguem admitir.
        Permitam-me citar a minha própria e infeliz experiência.  Admito que o fato de ouvir a história, pela primeira vez foi um “puxão” de orelha, um despertar. Bateu bem forte em meus brios e me desafiou: “Ora, é verdade! – pensei. Eu sou como aquele caranguejo que puxa para baixo!... Percebi o quanto ficava incomodado, ofendido, quando via alguém prosperar, melhorar.  Graças a Deus, e com muita luta aprendi a controlar aquele mal ímpeto. Entretanto, conservo o hábito de olhar sempre para mim e policiar minhas atitudes.
     Tenho observado, com tristeza, que a inveja é uma epidemia letal. Ela, historicamente, já causou assassinatos, guerras, discussões. É um inimigo silencioso, invisível e traiçoeiro. É uma senhora escravizante e cruel. Leva a um tipo de competitividade doentia e destrutiva. Já ouvi, inclusive, relatos de pessoas que compraram por pura inveja e até de relacionamentos que se romperam...
      Sendo assim, convido você a se avaliar, honestamente. E se for o caso, buscar forças e ajuda adequada, para vencer a si mesmo, nesta área.  E então, prepare-se para crescer e experimentar a alegria pelo êxito de outrem, enquanto constrói seus próprios sonhos, com um coração limpo, leve, livre e abençoado. Tente aplaudir mais as conquistas alheias; busque fazer isto de modo sincero. Você será um indivíduo muito mais satisfeito e próspero, com certeza!

                                                                                            Túlio Vasconcelos


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