quinta-feira, 20 de outubro de 2016

EU QUERO SER LIVRE!


       
         Este é um clamor mundial. Mas será que a maioria dos homens sabe o que é ser realmente livre? Há muitas contradições e incompreensão, nesta área, mesmo entre as pessoas mais idosas. Sendo o ser humano algo extremamente contraditório e complexo, ele, por vezes, transforma em problema o que foi estabelecido como dádiva divina. Isto é muito verdade, também, nesta época de inversão de valores...
         Há os que se sentem livres para criarem um estilo próprio. Querem ser originais e fugir dos padrões “já ultrapassados”; parecem gostar de se colocarem avessos a tudo; revoltam-se contra as normas e regulamentos, pois se sentem sufocados; ignoram mesmo os limites que lhes trazem segurança e garantem a sua subsistência. São maníacos em ignorar a opinião dos outros, tanto quanto em dar a sua própria. Detestam se sentir escravos do que os outros pensam, enquanto adoram escravizar os outros ao que eles desejam afirmar e fazer.
         Existem aqueles que acreditam que liberdade é poder passar as noites se embriagando e se drogando; tornam-se, muitas vezes, dependentes do álcool e de outras drogas químicas e sentem que não têm mais forças para deixar e desistem de tentar...
         Há, ainda, os que acreditam que podem “pensar tudo de seu jeito”, e que sempre estarão certos...Também são eles que quase sempre têm a certeza de que não se pode ter certeza de nada! Muitos desses vivem em grande contradição e medo: medo da morte e da vida; medo do “azar e do olho grande”; medo do que sabem e do que não sabem; medo de confiar e então “confiam desconfiando”; dizem que são livres para serem amigos de quem quiserem, mas sentem que não têm amigos, pois, segundo eles, “amigos não existem”.   
         Todas essas concepções de liberdade são amplamente difundidas, por muita gente que tenta, com esmero, viver algo que, geralmente, não entende muito bem. Em busca de sensações novas ou alívio para as suas tensões ou frustrações; ou tentando agradar e alimentar o seu egocentrismo, tornaram-se escravos do orgulho, de vícios, de orgias, de dívidas financeiras ou emocionais; da falta de moralidade e respeito pelos semelhantes e por si mesmos; da sensualidade, das dúvidas e da falta de propósitos; escravos de uma liberdade doentia e falsa!
           O que é ser livre, então? É fazer tudo o que se quer? É não respeitar limites? É destruir a alegria de outrem, vivendo momentos impensados, que certamente nos farão chorar de vergonha e arrependimento, quando formos suficientemente ajuizados para refletir sobre os nossos atos?...
         Pensando sobre isto e avaliando a vida em suas nuances, descobrimos que a verdadeira Liberdade só pode ser construída sobre os alicerces sólidos da disciplina, dos limites e do respeito.  Homens livres são aqueles que se sentem felizes em cumprir os regulamentos que lhes preservam a saúde, a consciência e a integridade moral.
         Ser Livre é poder dizer “sim” ou “não” a si mesmo e aos outros, na hora certa; é ser corajoso o suficiente para resistir às pressões da maioria, quando se tem um argumento bem fundamentado, uma idéia bem construída, na qual se acredita; é ter a coragem de mudar de opinião, sobre algo que se defendeu a vida toda, e não permanecer acorrentado ao orgulho infantil, quando se percebe o equívoco; é encontrar na simplicidade alegria, e saber apreciar o simples e contemplar o belo; é saber que para ser diferente o necessário é ser quem somos,  sem ter que imitar os modelos impostos pela sociedade; é ter a capacidade de ainda confiar verdadeiramente, amar genuinamente, e se entregar por inteiro às causas de valor e às pessoas que nos cercam!


 (De “Histórias de Pescadores – Aprendendo a Viver, Lendo a Vida” – Ed. Novo Horizonte, 2008 – Vasconcelos, Túlio)

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