segunda-feira, 5 de junho de 2017

A FALSA MORAL DA T V

           


           Há muitos fenômenos que contribuem para a desestabilização das relações humanas. Parece que a sociedade teima em não perceber os perigos que a cercam. Tendem muitas pessoas a enxergar de forma equivocada as raízes de seus problemas: lançam a culpa em quem não tem; tiram a culpa de quem tem.
         Preciso, inicialmente, afirmar que não sou inimigo da TV e nem das emissoras. Entendo a utilidade dos veículos de comunicação, bem como a necessidade que existe de se faturar, através de uma programação que atraia os telespectadores e traga retorno aos anunciantes. Mas, existem alguns fatos que devem ser levados em consideração, pois a sua repercussão social é bem maior do que os milhões de dólares movimentados, anualmente, pelas emissoras de nosso país.
        Lembro que nos anos 80, quando cursava a (antiga) 5ª. série ginasial, foi lançado um informativo intitulado “QUESTIONANDO”, elaborado por alguns membros do saudoso “Colégio Pré-Acadêmico”, em Olinda. A inteligentíssima professora “Cléo”, de educação física, escreveu um artigo com o título acima. Ela questionava o verdadeiro papel da televisão: quanto ela contribui para o êxito social e quanto ela prejudica?   
         Naquela época, haviam sido iniciadas as campanhas de arrecadação de donativos, através de um órgão internacional, por uma importante emissora brasileira. Aliás, uma louvável iniciativa. A minha mente, estimulada por aquele brilhante artigo, ficou a questionar algumas nuances que até hoje ecoam, dentro de mim:

1.  Por que algumas empresas tentam ajudar famílias com campanhas que trazem educação, saúde e bem-estar social, por um lado, e por outro fomentam a destruição moral e espiritual das mesmas famílias?
2.   É uma tentativa de diminuir a dor de consciência?
3. Quem são as crianças educadas pelo dinheiro das campanhas? São as mesmas, cujas mentes são encaliçadas com a permissividade, a rebeldia, a imoralidade, a deslealdade, a defraudação que a programação de tais emissoras semeiam?
4.   É verdade que a TV e o cinema mostram só o mal que já existe? Ou eles também inflamam a sexualidade e a violência?Antecipam uma escala mais profunda de violação de direitos e indiferença aos limites?
5.  As campanhas contra violência fazem efeito quando a mesma emissora mostra dezenas de assassinatos? Mostra filhos que não obedecem aos pais e que mentem? Valorizam históricos e roteiros novelísticos, em que a Família não conhece a obediência; pais e filhos são iguais; respeito não existe com o semelhante; amigos são traiçoeiros; a confiança é bombardeada e destruída?

        Preocupa-me o destino das pessoas e, consequentemente, das sociedades e nações deste planeta. Preocupa-me o lançamento diário de modismos, expressões, ideologias, padrões de beleza, que as “telinhas e telonas” têm apresentado ao mundo. Preocupa-me a idéia que muitos possuem de que não estão sendo influenciados. Preocupa-me o descompromisso, o desrespeito, o “pode tudo”, a libertinagem, o vandalismo, a violência, a traição, o egoísmo, a promiscuidade das imagens e roteiros televisivos; e o que eles causam às mentes de todos os seres humanos. Cada imagem e som são registrados e nunca sairão de nossas mentes. E, sim, eles nos influenciam, em escalas maiores ou menores.

       Recebi um e-mail, há alguns anos, sobre a música que era tocada todos os dias, naquela época. Letra venenosa e destrutiva, pois possui(no meu ponto de vista) um conteúdo de indução depressiva e suicida. Tal letra fazia parte da trilha sonora de uma determinada novela. A música foi gravada por um grupo que, sinceramente, aparenta(no contexto em questão) uma mente inspirada pela paixão ao caos e à destruição.
       A suposta estratégia de alguém, quem quer que tenha sido, se deliberadamente ou não, foi servir veneno em uma bela taça de cristal; pois, a musicalidade que acompanha letras assim, conseguem “hipnotizar” o consciente para que não perceba o conteúdo; o inconsciente, ao contrário, grava e reproduz privilegiadamente, os efeitos de cada mensagem recebida.

Eis a letra para vossa análise, sob o silêncio revelador de uma tranquila leitura:


Vamos deixar que entrem, que invadam o seu lar
Pedir que quebrem, que acabem com seu bem-estar
Vamos pedir que quebrem o que eu construí pra mim
Que joguem lixo, que destruam o meu jardim

Eu quero o mesmo inferno, a mesma cela de prisão - a falta de futuro
Eu quero a mesma humilhação - a falta de futuro

Vamos deixar que entrem, que invadam o meu quintal
Que sujem a casa e rasguem as roupas no varal
Vamos pedir que quebrem sua sala de jantar
Que quebrem os móveis e queimem tudo o que restar

Eu quero o mesmo inferno, a mesma cela de prisão - a falta de futuro
Eu quero a mesma humilhação - a falta de futuro

Eu quero o mesmo inferno, a mesma cela de prisão - a falta de futuro,
o mesmo desespero

Vamos deixar que entrem como uma interrogação
Até os inocentes aqui já não tem perdão
Vamos pedir que quebrem; destruir qualquer certeza
Até o que é mesmo belo aqui já não tem beleza

Vamos deixar que entrem e fiquem com o que você tem
Até o que é de todos já não é de ninguém
Pedir que quebrem; mendigar pelas esquinas
Até o que é novo já está em ruinas
Vamos deixar que entrem, nada é como você pensa
Pedir que sentem aos que entraram sem licença
Pedir que quebrem, que derrubem o meu muro
Atrás de tantas cercas, quem é que pode estar seguro?

Eu quero o mesmo inferno, a mesma cela de prisão - a falta de futuro
Eu quero a mesma humilhação - a falta de futuro

Eu quero o mesmo inferno, a mesma cela de prisão - a falta de futuro
O mesmo desespero.  
                                                   (TITÃS)


                                        Pense comigo:

  • As pessoas que fazem televisão e outros veículos de comunicação não têm consciência de que estão influenciando toda sociedade?
  • Eles estão lembrados que um dia serão, possivelmente, idosos e irão necessitar de cuidados dos seus filhos ou netos, ou sobrinhos, que terão sido educados à sombra da TV que eles criam?
  • Será que podemos aprender com as declarações de certo diretor de TV, daquela mesma emissora, que supostamente teria declarado que “não assiste mais TV”? Por que seria?
  • Por que o nosso povo se prende tanto ao lixo virtual e não considera os efeitos “psico-diarréicos” do que suas mentes têm  “digerido”?
  • Até que ponto a perda do temor e respeito, apregoados em letras como essa   contribuem para a violência, o suicídio, a depressão e o consumo das drogas?
  • Para onde vai uma sociedade que canta músicas que dizem: “Eu quero o mesmo inferno A mesma cela de prisão - a falta de futuro
    O mesmo desespero”?   

Oro para que você, caríssimo leitor, pense num fato:
Essa não é “uma obra de ficção”; é algo sério; e é a sua vida e o seu futuro. Você é responsável. Faça algo!
                                                                                                 


                                                                                         Túlio Vasconcelos.